terça-feira, 15 de março de 2011

Sai Muricy entra...

Parece que estava tudo decidido, pelo menos na cabeça de Muricy Ramalho. Quando chegou ao Fluminense há exatamente 11 meses, o treinador teve uma garantia antes de assinar o contrato, que até então se encerraria em dezembro de 2012: reformar toda a estrutura do clube das Laranjeiras, aceitou o desafio, este não era pequeno. No ano anterior, em 2009 o tricolor carioca escapou do rebaixamento nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro.

É claro que um treinador deste nível não é barato aos cofres do clube - mas a questão contratural foi toda acertada com o patrocinador do Flu, presidido por Celso Barros. Estima-se que o salário girava em torno de R$ 600 mil. Por vez, todo pago pelo patrocinador.

No ano passado a equipe carioca conquistou, após 26 anos, o título de Campeão Brasileiro, um fim de ano plausível para diretores, torcedores e jogadores - veio então o início de 2011. O Fluminense foi eliminado da Taça Guanabara e consequentemente não vem bem na Taça Libertadores da América - as pessoas ligadas ao futebol não imaginam, mas o pior pode acontecer: a eliminação na primeira fase, uma vergonha não aceita pela diretoria.

Em seu comando o Fluminense teve três jogos pela competição Sul-Americana, tem apenas dois pontos, está na terceira posição do grupo 3. Este grupo é liderado por Argentino Juniors e América do México, sete e seis pontos respectivamente. Das três partidas, duas foram no Engenhão, ou seja insatisfação das diretoria.

Nesses 11 meses de casa o treinador propôs que o presidente tricolor, Peter Siemsen, fizesse uma visita ao CT do São Paulo, em Cotia - mas por compromissos elitorias não foi possível. O clube veio com uma 'contraproposta': iria investir R$ 800 mil na reforma de quatro campos, alojamentos e nos vestiários, em Xerém. A outra foi alugar o CT do Tigres, todas recusadas pelo técnico.

Nesse período de convicência com os tricolores, Muricy recusou até a proposta de assumir a Seleção Brasileira e disse ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira que a diretoria do Fluminense iria resolver essa questão. Mas com alguns impecílios, dentre eles a garantia de não dirigir a seleção na Copa de 2014 - fizeram o treinador desistir.

A verdade é: o relacionamento entre Muricy e parte da diretoria estava desgastado e ambos não falavam a mesma língua. A promessa de uma estrutura ideal não foi cumprida, aliada a propostas de Santos e da seleção mexicana. Pesou também o fato da diretoria não colaborar com o trabalho do comandante no elenco - exemplo disso foi o caso do zagueiro André Luis. O jogador faltou a um treino, foi feito um pedido de punição, não houve, por causa disso o atleta foi afastado e negociado.

Nos bastidores a proposta do Santos é  considerada como um dos motivos para sua saída. Mas além disso, Celso Barros não estava satisfeito com o início de temporada do tricolor e o trabalho do mellhor treinador de 2010 estava em xeque. Peter, mandatário de Fluminense - soube da decisão apenas na sexta-feira, fato que o deixou irritado.

Após  o Fla-Flu, Muricy comunicou os jogadores de sua decisão, alguns ficaram surpresos. Agora o treinador pretende descansar  um tempo para organizar a vida), como sempre faz depois de deixar um clube - resta saber qual será o próximo destino.